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Desenhado por Casthalia


Atualizado em 25/fev/2011


Cinema
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Foi essencialmente a possibilidade técnica de reprodutibilidade imagética que favoreceu o surgimento, em 1895, daquilo que hoje chamamos de filme. Benjamin2 situa esse processo tomando como base o surgimento da xilogravura (técnica de impressão em madeira) no século XV, passando pela litografia (impressão em metal) no início do século XIX, depois o surgimento da fotografia e, posteriormente, o cinema, inaugurando o processo de captação e veiculação de imagens em movimento.

Mas foi ao longo do século XX que a indústria cinematográfica cresce em escala geométrica. A necessidade de espaço e maquinário específico faz com que o cinema inaugure não apenas uma forma outra de expressão, mas também de recepção. Sendo o filme arte de recepção fundamentalmente coletiva, os espaços de projeção deveriam configurar-se como espaços de troca e de confronto de idéias; de reestruturação, releitura, re-elaboração, recriação.

O filme, como o conhecemos hoje, é uma expressão visual altamente técnica que engloba tantas outras linguagens: cenário, figurino, fotografia, música, teatro, só para citar algumas. Quando assistimos a um filme, primeiramente vemos imagens, o significado vem depois. A apropriação dos símbolos culturais só ocorre quando o contemplador se coloca como pessoa dialogal diante deles. A significação é uma ação transformadora e singular que aciona não apenas a cognição, mas também a afetividade. Esse processo dialogal com a imagem –a inteligibilidade do cinema– explicita um movimento ininterrupto de ir e vir, na incessante busca de acionamentos imagéticos e experiências anteriores, com o intuito de estabelecer sentidos para o filme visto. Ou seja, a significação fílmica acontece baseada no reconhecimento de padrões e em conhecimentos prévios, por familiaridade de códigos.

Se houver disponibilidade, o filme entra em contato com o contemplador e lhe fala coisas sobre o tema em questão, sobre o mundo, sobre o próprio espectador. No cinema não vemos apenas o filme, mas a nós mesmos e as diversas sociedades, de diferentes tempos e espaços. Ele desacomoda as percepções, instiga, perturba, rejubila; deflagra uma série de questões e ações. Aciona toda sorte de sensações positivas e/ou negativas mas, sobretudo, faz-nos estranhar o familiar e perceber coisas sob outros ângulos, de outras formas. Multifacetado e plural, um filme pode ser explorado criticamente por diversos ângulos.

Possibilitar que crianças assistam a bons filmes é favorecer a ampliação e qualificação de seu repertório imagético; possibilitar um aprendizado do olhar e das diferentes formas de produção de imagens; é estimular sua relação crítica e direta com a Arte, particularmente o desenvolvimento do gosto cinematográfico. Levar crianças ao cinema é coerente com a idéia de que a Educação não pode ser entendida como descolada da Cultura e de que a formação cultural é direito de todo cidadão. Fundamentalmente, defende-se que a criança tenha acesso a filmes de qualidade, independentemente de serem da categoria “infantil”, mas não se deixa de reconhecer que se faz necessária uma política mais agressiva de estímulo a produções de qualidade para crianças – o que vem atualmente sendo reivindicado nos Encontros Nacionais de Cinema Infantil3.

Há uma especificidade na cultura para a infância – ela é geralmente intermediada por um adulto. Neste sentido, é importante que se empreenda uma ação formadora junto aos educadores de forma a incentivá-los a privilegiar filmes de menor penetração na mídia – os menos óbvios, mais elaborados – afinal, esta já se encarrega de forma competente e eficaz de incutir a cultura do enlatado, do mastigado, do pouco complexo... Respeitar o gosto e a cultura de educadores e crianças não é, de modo algum, sinônimo de mantê-los encarcerados em seu universo cultural eminentemente televisivo e imediato. Não se trata, todavia, de genericamente rejeitar o material mais comercializado, mas de compreender a proposta de formação cultural como possibilidade de ampliação de experiências; de construção de olhares, escutas e movimentos críticos e sensíveis. Brecht diz que as crianças são capazes de compreender tudo aquilo que vale a pena ser compreendido. Importante, então, que haja preocupação em não subestimar esta capacidade e, assim, não deixar de oferecer-lhes um repertório diversificado. Por fim, ainda nesta perspectiva de ampliação cultural, há de se chamar atenção para a estratégia que historicamente mais vemos: a de “pedagogizar” ou “escolarizar” o cinema para crianças – o que significa parti-lo, dilacerá-lo e analisá-lo enquanto objeto a ser estudado; ou colocá-lo sob a égide dos conteúdos escolares, subtraindo suas dimensões estéticas e poéticas. Somente com projetos que visem possibilitar continuamente a apropriação crítica das diversas linguagens artístico-culturais – neste caso, do cinema – pode-se encarar a questão da formação cultural permanente dos cidadãos, uma vez que a experiência estética e cultural exige, também, constância. Gosto se aprende. Cultura também se aprende.

 

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1 Este texto incorpora trechos de LEITE, Maria Isabel. Educação e cinema: um recorte sobre o papel cultural dos festivais. In: OSTETTO, L.E.; LEITE, M.I. Arte, infância e formação de professores: autoria e trangressão. Campinas: Papirus, 2004 (97-120).
2 BENJAMIN, Walter. A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica. In: ______. Obras Escolhidas I. Magia e técnica. Arte e política. São Paulo: Brasiliense, 1994 (165-196).
3 O segundo ocorreu dia 30/06/2006, em Florianópolis/SC, no interior da 5ª. Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis e contou com a presença de representante do MinC. Cabe ressaltar ainda que houve, neste governo, o primeiro edital voltado exclusivamente para a infância: o Curta-Criança.

 

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Livros sobre cinema

ALMEIDA, Milton José de. Cinema: a arte da memória. Campinas: Autores Associados, 1999.

_______. O tempo no cinema, imagem em perspectiva. In: ROSSI, Vera Lúcia Sabongi & ZAMBONI, Ernesta (orgs.). Quanto tempo o tempo tem! Campinas: Alínea, 2003 (63-68).

BENJAMIN, Walter. A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica. In: _______. Obras Escolhidas I. Magia e técnica. Arte e política. São Paulo: Brasiliense, 1994 (165-196).

CADERNOS DE ANTROPOLOGIA E IMAGEM. Antropologia e cinema: primeiros contatos. Rio de Janeiro: UERJ, 1995.

XAVIER, Ismael (org.). A experiência do cinema. Rio de Janeiro: Graal, 1991.

Livros sobre cinema na educação

DUARTE, Rosália. Cinema & Educação. Belo Horizonte: Autêntica, 2002.

FABRIS, Eli T. H. Cinema e Educação. In: OLIVEIRA, Inês B. de; SGARBI, Paulo. Redes culturais: diversidade e educação. Rio de Janeiro: DP&A, 2002 (119-130).

GARCIA, Claudia A.; CASTRO, Lúcia R. de; JOBIM E SOUZA, Solange. Infância, cinema e sociedade. Rio de Janeiro: Ravil, 1997.

LEITE, Maria Isabel. Educação e cinema: um recorte sobre o papel cultural dos festivais. In: OSTETTO, Luciana E.; LEITE, Maria Isabel. Arte, infância e formação de professores: autoria e transgressão. Campinas: Papirus, 2004 (97-120).

MERTEN, Luiz Carlos. O cinema e a infância. In: ZILBERMAN, Regina (Org.). A produção cultural para criança. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1990 (43-60).
TEIXEIRA, Inês A. de C; LOPES, José de Sousa (Orgs.). A escola vai ao cinema. Belo Horizonte: Autêntica, 2003.

SCORSI, Rosalia de A. Cinema na literatura, In Pro-Posicoes. Sao Paulo: UNICAMP, v.16, n.12 (47), maio/ago 2005 (p. 37-54).

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