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Desenhado por Casthalia


Atualizado em 25/fev/2011


Infância

A infância, ao longo da história da humanidade, foi vista e compreendida de diferentes formas. É já célebre a tese apontada por Ariès1 em suas pesquisas sobre a inexistência do sentimento de infância antes da Idade Moderna. Depois - objeto de estudos da pedagogia, psicologia e biologia - a infância foi vista numa perspectiva etapista e compreendida como “mero estado de passagem, precário e efêmero, que caminha para sua resolução posterior na idade adulta, por meio da acumulação de experiências e conhecimento” (Jobim e Souza, p. 44)2. Essa visão atribui a ela “uma qualidade de menoridade e, conseqüentemente, sua relativa desqualificação como estado transitório, inacabado e imperfeito” (idem). Ela ainda recebeu atenção a partir de uma perspectiva sociológica, que a situava "no conjunto de processos sociais, mediante os quais a infância emerge como realidade social, realidade essa que também produz, em certa medida, a própria sociedade" (Pinto, p. 34)3. Dessa forma rompia-se, assim, com a perspectiva etimológica do termo in fans, entendida como aquelas que não falam, ou, como denuncia Martins4, como “os mudos da história” (p.54).

A criança é entendida aqui como cidadã de pouca idade, pessoa que é, com direitos e deveres, diferente dos adultos, que tem especificidades, saberes e insere-se, a sua forma, no vivido pela sociedade. Criança que se apropria, mas também (re)cria a cultura na qual está imersa. Meninos e meninas consideradas com vez e voz. Vozes que trazem à tona aquilo que vivem, ouvem dizer ou imaginam.

Se admitimos que as diferenças de gênero, classe social, local de moradia, e tantas outras práticas sociais constituem o sujeito, não temos como delimitar um conceito único, homogêneo, sobre criança e infância. Assim, parece mais adequado pensar na existência de infâncias, ou seja, a assunção de que há diferentes formas de ser criança.

 

1 ARIÈS, Philippe. História Social da Criança e da Família. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1978.
2 JOBIM e SOUZA, Solange. Re-Significando a psicologia do desenvolvimento: uma contribuição crítica à pesquisa da infância, In KRAMER, Sonia & LEITE, Maria Isabel (orgs.). Infância: Fios e Desafios da Pesquisa. Campinas, SP: Papirus, 1996 (39-72).
3 PINTO, Manuel. A infância como construção social, In SARMENTO, Manuel Jacinto & PINTO, Manuel (coord.). As crianças: contextos e identidades. Braga, Portugal: Instituto de Estudos da Criança da Universidade do Minho, 1997 (33 – 73).
4 MARTINS, José de Souza. O massacre dos inocentes. São Paulo: Hucitec, 1991.

 

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