O ano de 2008 é o ano Ibero-americano de museus.

“O tema escolhido para o Ano Ibero-americano de Museus é um desafio
para o debate e entendimento do importante papel dos museus na defesa
e promoção das identidades, da memória e do patrimônio cultural”,
afirmou o então Ministro da Cultura, Gilberto Gil Moreira.


Por esta razão o Museu da Infância promove a exposição
Infância na Ibero-américa, cujo objetivo é pensar criticamente
produções DE, PARA e SOBRE as crianças nestes países. Esta mostra
disponibiliza, ao visitante, poesias, pinturas, brinquedos, imagens de criança
em produção, mídias diversas, bem como informações acerca das diferentes
realidades vividas por estes meninos e meninas. Trazer à tona uma diversidade
de olhares acerca da infância é reiterar a idéia de que não há uma infância única
e padronizada, mas uma multiplicidade de modos de ser criança nos diferentes
tempos & espaços. Há, ainda, um Ciclo de filmes sobre Infância (diretores Ibero-
-americanos) e a possibilidade de agendamento de visitas monitoradas.

 

Mas um museu, para cumprir seu papel, tem que ter público.
E como atrair para o Museu os contempladores que não estão habituados a
freqüentar estes espaços? O desafio de formação de platéia e educação do olhar
são, então, partes intrínsecas da missão educativa do Museu da Infância.

 

Nesta direção, partindo do conceito que com Romero vimos desenvolvendo desde 2007, o Museu da Infância mais tem se assumido, em sua dimensão física, como um espaço sem fronteiras rígidas; maleável, poroso; que se imiscui ao campus da universidade; um local mais permeável às trocas com seu entorno; receptivo, acolhedor; um lócus de descobertas e aguçamento de sentidos daqueles que por ele transitam carregando suas marcas históricas, sociais e culturais que lhes asseguram um olhar e sentidos singulares – que lhes permitem dar significação ao visto/ouvido/sentido no Museu. Uma proposta ousada, que “trabalha no limite do corpo, no limite da fisicalidade. Mais um pouco e ela não existe” (FARIAS apud OLIVEIRA, 2008, p. 55).

A arte contemporânea também se alicerça em uma proposta que desassossega o espectador; tira-o do torpor, da posição daquele que está ali só de passagem e o convida a tomar posição. Todavia, isso não nos basta... não apenas a novidade nos interessa, pois nossa missão educativa passa, ainda, por transformar a inquietação momentânea em paisagem assimilada, em reiteração, em freqüência, em produção de sentidos pelo aprimoramento do olhar.

Essa configuração de buscar o desassossego em relação dialética com a cotidianidade fez-nos, então, perceber mais uma forte referência estética neste conceito de museu ora proposto: as instalações. Nas palavras de Oliveira (2008, p. 58), “o conceito de escultura foi tão testado e expandido que se rompeu” e, ainda, “entre seus estilhaços emergiram diferentes modalidades e o conceito de instalação”. É este conceito de instalação que tomamos emprestado para pensar o Museu da Infância em sua nova proposta física: “já não é uma peça que vemos de fora, como a escultura tradicional. A instalação é uma escultura em que se entra, que envolve vários sentidos: olfato, visão, tato. É uma sensação de sinestesia” (FARIAS apud OLIVEIRA, 2008, p. 8).

Mas pode um museu ser quase imaterial? Como ocorre com a escultura contemporânea, podemos chamar de museu algo que pode até se confundir com o próprio espaço? Algo que pode ser entendido “não necessariamente como objeto, mas como atitude, como ação, (...) como uma ação de formalização do homem, que trabalha, opera sobre o mundo, sobre a matéria” (SERRA apud OLIVEIRA, 2008, p. 52)?

É assim que entendemos a dimensão física deste museu: um espaço de educação não-formal aberto e que pertence a todos: o Museu da Infância é da UNESC, da comunidade, do mundo... e, sendo assim, traduz-se em uma contribuição significativa para a ciência, a arte e a cultura nas áreas da educação, da linguagem, da memória, da infância e da museologia.

Integre-se também a este espaço sem fronteiras;
a este museu-sem-paredes... o museu é seu!


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